# Flip: Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação em Paraty

> Angela Davis, na 24ª Flip, citou pensadores brasileiros Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez durante evento gratuito no Sesc Caborê. A ativista criticou a gentrificação em comunidades pobres de Paraty, destacando o impacto da especulação imobiliária sobre populações locais.

*Freecine · Análises e Críticas · 27 de julho de 2026 · Wagner Pichetti*

Na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Angela Davis participou de evento gratuito no Sesc Caborê, mediado por Flávia Oliveira. A ativista citou pensadores brasileiros como Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez, criticou a gentrificação em comunidades pobres de Parat

## Flip: Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação em Paraty

No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado neste sábado (25), a ativista e pesquisadora Angela Davis foi um dos destaques da programação da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ela participou de evento público e gratuito no Sesc Caborê, em conversa com a jornalista Flávia Oliveira. A mesa fez parte da programação paralela da Festa, que se encerra neste domingo (26).

**Angela Davis citou pensadores brasileiros como Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez, criticou a gentrificação em comunidades pobres de Paraty e defendeu a redução da jornada de trabalho como forma de ampliar o acesso à cultura.**

## Angela Davis critica gentrificação e racismo ambiental em Paraty

A ativista denunciou o processo de gentrificação e racismo ambiental na cidade. "Queria falar sobre a gentrificação que está acontecendo em comunidades pobres aqui em Paraty. E também sobre o racismo ambiental", disse. Ela relatou que conversou com a própria comunidade local: "Podemos escutar o que está acontecendo aqui nessa área. Não devemos prestar atenção apenas na literatura, mas devemos prestar atenção nesse papel da literatura de influenciar as pessoas e promover mudanças".

Gentrificação é o processo em que a valorização de um bairro eleva o custo de vida e acaba expulsando os moradores mais pobres para regiões mais periféricas.

## Homenagens a Conceição Evaristo, Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento

Angela Davis homenageou a escritora mineira Conceição Evaristo, que estava na plateia. "É um prazer que ela esteja aqui presente. Muito obrigada pela sua literatura tão bela", afirmou. Para a ativista, Conceição está no mesmo patamar de relevância da cantora Nina Simone e da escritora Toni Morrison, ambas norte-americanas.

Ao comentar sobre a "escrevivência", conceito criado por Conceição Evaristo, Angela mencionou que demorou muito tempo para o reconhecimento de que as pessoas negras precisavam contar as próprias histórias. "Toni Morrison nos mostrou que a experiência branca não é universal", afirmou.

A ativista também citou a autora e ativista brasileira Lélia Gonzalez, referência nos estudos de gênero, raça e classe. "Eu amo a Lélia Gonzalez", disse, destacando o conceito da Amefricanidade. "Naquele conceito ela reconhece que a luta negra, em qualquer parte do mundo, não pode acontecer também sem o povo indígena", exemplificou.

Angela ainda comentou sobre as contribuições da brasileira Beatriz Nascimento. "Quando ela falou 'eu sou atlântica', ela emitiu o sentimento que nos chega a todos, que nos faz sentir parte de um mundo gigantesco."

## Redução da jornada de trabalho e inclusão nas universidades

A redução da jornada de trabalho e a inclusão de pessoas negras nas universidades também foram temas abordados. Segundo ela, a redução de jornada poderia permitir mais tempo de lazer e acesso à cultura. Angela conta que alguns lugares da Europa já vivenciam a redução da jornada.

"Na primeira vez em que visitei o Brasil, havia poucos negros na universidade. Eu estava aqui e eu vi um novo sistema universitário se desenvolver na Bahia, eu vi mudanças palpáveis e nós devemos celebrar essas mudanças porque vocês as conquistaram", afirmou.

## Prisão e luta coletiva

Ao rememorar o período de sua prisão sob falsa acusação de conspiração, sequestro e homicídio, Angela destacou o poder da luta coletiva. "Eu digo que eu não fiz muito, eu estava sentada na prisão. As pessoas estavam nas ruas gerando o movimento que impediria que aqueles homens que estavam no poder tomassem essa decisão [pela pena de morte]", disse.

"Quando olho pra trás naquele período, vejo que foi um presente. Eu fui moldada pelo que passei naquela cadeia", concluiu.

## Perguntas Frequentes

### O que Angela Davis disse sobre gentrificação em Paraty?

Angela Davis criticou o processo de gentrificação em comunidades pobres de Paraty e o racismo ambiental, afirmando que tentam criar meios para ganhar mais lucro tirando as pessoas de suas terras ancestrais.

### Quais pensadores brasileiros Angela Davis citou na Flip?

Ela citou Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez e homenageou Conceição Evaristo, que estava na plateia.

### Angela Davis defendeu a redução da jornada de trabalho?

Sim. Segundo ela, a redução poderia permitir mais tempo de lazer e acesso à cultura, mencionando que alguns lugares da Europa já adotam a medida.

### Quem mediou a conversa com Angela Davis na Flip?

A conversa foi mediada pela jornalista Flávia Oliveira.

### O que Angela Davis disse sobre o fascismo?

Ela afirmou que o fascismo está emergindo na Europa, Estados Unidos e América Latina, mas não entre o povo, e que o povo é mais forte do que o fascismo que pretende governá-lo.

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Fonte (canonical): https://freecine.net.br/analises-e-criticas/flip-angela-davis-cita-pensadores-brasileiros-critica-gentrificacao/
