Livro Escreviventes celebra Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz | Análise
Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz lançam Escreviventes (Pallas Editora) na 24ª Flip. O livro, gravado em quilombo urbano no Rio, percorre memória, racismo e criação literária. Entenda a obra que inaugura a coleção Memórias Brasileiras.
Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz lançam Escreviventes (Pallas Editora) na 24ª Flip. O livro, gravado em quilombo urbano no Rio, percorre memória, racismo e criação literária. Entenda a obra que inaugura a coleção Memórias Brasileiras.
Livro Escreviventes celebra Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz
Escreviventes é o registro de uma conversa entre duas autoras consagradas, Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, publicada pela Pallas Editora. O lançamento ocorreu durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde ambas marcaram presença em eventos lotados. Gravado ao longo de dois dias na Kaza 123, quilombo urbano em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, o diálogo percorre temas como literatura, memória, racismo, maternidade, envelhecimento e amizade, demonstrando como as experiências vividas atravessam a escrita literária.
O que é Escreviventes e como surgiu o livro?
A obra nasce de um encontro entre Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, que discutiram suas trajetórias e o conceito de escrevivência. "Nós estamos exercendo o direito à memória", destacou Conceição, em evento na Casa Estante Virtual. O lançamento ocorre em momento simbólico: em 2026, Conceição celebra 80 anos de vida e Eliana comemora seus 60 anos. O livro inaugura a coleção Memórias Brasileiras e antecipa o documentário homônimo, dirigido por Estevão Ribeiro, com previsão de estreia em festivais em 2027.
O conceito de escrevivência segundo Conceição Evaristo
Conceição Evaristo reforça que o conceito de escrevivência, que percorre sua obra, diz respeito não apenas à memória e relatos autobiográficos, mas envolve também criação e ficcionalização. "Só escreve ficção quem conhece a realidade", lembrou a escritora, ao citar o autor angolano Pepetela. Para Conceição, é o conhecimento da realidade e a experiência do mundo que dão a possibilidade de elaborar ficção. "E, muitas vezes, [permite] ficcionalizar uma memória que a gente não tem. É uma memória criada, aí eu volto ao texto de Ana Maria Gonçalves: Um Defeito de Cor", disse a autora, na Casa Estante Virtual, durante a Flip.
Um Defeito de Cor e a memória criada
Um Defeito de Cor é um romance que traz a história de uma mulher africana em busca do filho perdido no Brasil. A protagonista Kehinde é inspirada em mulheres negras reais, como a ativista Luiza Mahin, trazida à força da África. Segundo Conceição, o livro e o documentário vão compor a história da literatura brasileira, registrando o percurso de duas escritoras negras.
A importância do registro para a literatura brasileira
Conceição Evaristo declarou: "A história da literatura brasileira é devedora das mulheres escritoras, e é principalmente devedora dos escritores negros, homens e mulheres." Eliana Alves Cruz ressaltou a importância de registros como esses, citando que há uma carência de material sobre autores como Lélia Gonzalez. "A gente sabe da importância [dos autores], a gente celebra, tem livro publicado, mas não os registros [sobre as pessoas]. Toda e qualquer oportunidade que a gente tenha para registrar as pessoas, a gente precisa usar. E essa foi uma oportunidade linda, um pouco feita na garra", disse a escritora.
O protesto de Eliana Alves Cruz sobre o audiovisual
Eliana lamentou a dificuldade para que os projetos relacionados à história e à memória negra sejam adaptados ao formato audiovisual. "E aqui vai um pouco um protesto, porque eu acho que não é surpresa para ninguém. Essa democratização da literatura é algo muito recente no Brasil. E muito se deve à tecnologia, à chance de ter livros, e-book. Mas, no audiovisual, a gente tem um cenário bem difícil."
O que esperar do documentário Escreviventes?
O documentário homônimo, dirigido por Estevão Ribeiro, tem previsão de estreia em festivais em 2027. A obra deve complementar o livro, oferecendo registros audiovisuais das conversas e trajetórias das autoras. Para quem acompanha a literatura negra brasileira, o filme pode preencher uma lacuna histórica de material sobre figuras como Lélia Gonzalez, conforme apontou Eliana.
Perguntas Frequentes
O livro Escreviventes está à venda?
Sim, o livro foi lançado pela Pallas Editora durante a 24ª Flip, em julho de 2026. A obra inaugura a coleção Memórias Brasileiras.
Onde foi gravada a conversa entre as autoras?
A conversa foi gravada ao longo de dois dias na Kaza 123, quilombo urbano localizado em Vila Isabel, no Rio de Janeiro.
Quem dirigiu o documentário Escreviventes?
O documentário homônimo é dirigido por Estevão Ribeiro, com previsão de estreia em festivais em 2027.
O que é o conceito de escrevivência?
Segundo Conceição Evaristo, escrevivência não é apenas memória ou autobiografia, mas envolve criação e ficcionalização, partindo do conhecimento da realidade.
Por que Eliana Alves Cruz protestou durante o lançamento?
Ela lamentou a dificuldade de adaptar projetos sobre história e memória negra para o audiovisual, apontando um cenário difícil no Brasil.
O livro tem relação com Um Defeito de Cor?
Sim, Conceição Evaristo cita o romance de Ana Maria Gonçalves como exemplo de ficcionalização de memória criada, inspirando-se em figuras como Luiza Mahin.
Cristiane Lobo
Crítica e cobertura independente de cinema, séries e streaming. Estreias, análises e onde assistir — sem viés comercial.
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