Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá
Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá. Lançado em julho, o livro 'Pelos Olhos de Orides' (Editora Hedra) adapta a obra da poeta para crianças, unindo literatura, arte e natureza.
Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá. Lançado em julho, o livro 'Pelos Olhos de Orides' (Editora Hedra) adapta a obra da poeta para crianças, unindo literatura, arte e natureza.
Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor
Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá, poeta e educador. Em entrevista à Agência Brasil, ele destacou que o contato com poemas desde cedo nutre a capacidade de se espantar e brincar com o mundo. O livro Pelos Olhos de Orides (Editora Hedra), lançado em julho, adapta a obra da poeta Orides Fontela para crianças, unindo literatura, arte e natureza.
A obra propõe uma aproximação das novas gerações à poesia de Orides, que parte de elementos simples e cotidianos, como um pássaro, uma nuvem, uma flor, uma vaca, um caleidoscópio, para refletir sobre o mundo, o tempo e a espera. Com linguagem precisa, a poeta transformou uma nuvem em "a flor do céu".
Como a poesia na infância alimenta a sensibilidade
Gravatá, autor de livros infantis como Converseiro da Natureza (Companhia das Letras) e Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo (Peirópolis), defende que "provocar a paixão pela literatura já na infância é fundamental". Ele relatou a ocasião em que uma criança lhe contou sobre ter conversado com a água enquanto escovava os dentes: "O que é isso senão um poema vivido no corpo?"
Para o poeta, as crianças amam ouvir poemas, especialmente quando quem os apresenta tem paixão pelo que diz. "Poetas brincam com as palavras, assim como as crianças brincam com tudo que encontram", concluiu.
O livro 'Pelos Olhos de Orides' e seu impacto
O lançamento do livro foi celebrado em mesa de conversa com a presença do organizador Augusto Massi e da ilustradora Cynthia Cruttenden, na Casa da Árvore, durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em que Orides foi a autora homenageada. A poeta morreu em 1998, aos 58 anos, logo após o lançamento de Teia.
Massi afirmou que a poesia de Orides compartilha com a infância uma mesma postura diante do mundo: o olhar investigativo e a liberdade de interpretação. "Tem espaço no livro, contrastes, exatamente para que a criança possa fazer perguntas", disse. Ele também relacionou vivências da poeta à sua obra, como os passeios de pesca com o pai: "A pesca exige silêncio. E, quando você faz silêncio no meio da natureza, escuta o canto dos pássaros".
A ilustradora Cynthia Cruttenden destacou que as imagens trazem uma característica lúdica, com formas, cores fortes e movimento, sem figuras muito claras. "É mais livre nesse sentido de interpretação e visualmente", afirmou.
O Circuito Cultural da Flip e o acesso à literatura
A Flip também contou com o Circuito Cultural, que levou cerca de 270 crianças e adolescentes das comunidades locais para participar do festival literário em Paraty. Direcionado a estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais, o projeto do Instituto Motiva ocorre em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, planejando atingir mais de 3 mil crianças e jovens ao longo do ano.
Jéssica Trevisam, gerente do Instituto Motiva, disse que a iniciativa busca "ampliar repertórios, fortalecer o senso de pertencimento e contribuir para a formação de cidadãos mais críticos, criativos e preparados para construir seus próprios projetos de vida".
O Programa Educativo da 24ª Flip, que contempla Flipinha, FlipZona e FlipEduca, teve mais de 15 mil participações em atividades gratuitas ao longo de quatro dias em Paraty, reunindo crianças, jovens, famílias, educadores e mediadores de leitura.
Para Gravatá, uma das prioridades de todo evento de literatura deveria ser provocar o interesse das crianças e jovens pela literatura. "Fortalecer os espaços educativos, com mais recursos e programação ampliada, faz diferença no presente e no futuro. Uma das cenas mais lindas que eu vi na Flip deste ano foi uma criança abraçada a um livro", disse.
Perguntas Frequentes
Por que a poesia na infância é importante?
Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá, porque estimula a contemplação, a curiosidade e a capacidade de se espantar com o mundo.
Qual livro foi lançado na Flip 2026 sobre poesia infantil?
O livro Pelos Olhos de Orides (Editora Hedra), que adapta poemas de Orides Fontela para crianças, foi lançado em julho durante a 24ª Flip.
Quem participou do lançamento do livro?
O lançamento contou com o organizador Augusto Massi e a ilustradora Cynthia Cruttenden, em mesa de conversa na Casa da Árvore.
O que é o Circuito Cultural da Flip?
É um projeto do Instituto Motiva que levou cerca de 270 crianças e adolescentes de comunidades locais para participar do festival literário em Paraty.
Quantas crianças participaram do Programa Educativo da Flip?
O Programa Educativo da 24ª Flip teve mais de 15 mil participações em atividades gratuitas ao longo de quatro dias.
Henrique Vasconcelos
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