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Rua do Samba em SP: renomeada em homenagem à história

ResumoRua do Samba em São Paulo, anteriormente Rua João de Barros na Barra Funda, foi renomeada em 28 de julho. A alteração homenageia décadas de rodas de samba e o legado da família Tobias, vinculada à escola Camisa Verde e Branco. O novo nome oficializa a tradição cultural local.

A Rua João de Barros, na Barra Funda, foi rebatizada como Rua do Samba em 28 de julho. A mudança reconhece décadas de rodas de samba e o legado da família Tobias, ligado à Camisa Verde e Branco.

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Wagner Pichetti
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Rua do Samba em SP: renomeada em homenagem à história
Foto: Imagem ilustrativa · Freecine

A Rua João de Barros, na Barra Funda, foi rebatizada como Rua do Samba em 28 de julho. A mudança reconhece décadas de rodas de samba e o legado da família Tobias, ligado à Camisa Verde e Branco.

Em São Paulo, rua é renomeada em homenagem à história do samba

A Rua João de Barros, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, foi rebatizada como Rua do Samba em 28 de julho. Com apenas uma quadra, o local é endereço de rodas de samba desde a década de 1980, quando Carlos Alberto Tobias organizava eventos na rua. A mudança de nome, porém, vai além do reconhecimento do gênero musical: é um resgate da memória da população negra no bairro.

O que muda com a Rua do Samba e por que isso importa

A placa nova não é só um gesto simbólico. Ela oficializa uma história que começou décadas antes, com a família da cantora e compositora Simone Tobias, filha de Carlos Alberto e neta de seu Inocêncio. Foi seu Inocêncio quem reorganizou, em 1953, um antigo grupo carnavalesco que depois se tornou a Escola Camisa Verde e Branco.

Simone conta que a origem vem de antes: "Em 1914, seu Dionísio Barbosa, que era tio da minha avó paterna, funda o grupo carnavalesco Barra Funda. Em 53, meu vô começa esse movimento para chamar algumas pessoas para fazer parte de um novo cordão e usa as cores primárias do Grupo da Barra Funda para homenagear seu Dionísio".

O avô usava o apelido "camisas verdes", mas inseriu o branco para que "não fosse mais confundido com os integralistas", segundo Simone. Os ensaios aconteciam em frente à casa da família Tobias, um porão em um antigo cortiço que não existe mais.

O impacto da especulação imobiliária e da gentrificação

A história da família também é a história de um deslocamento. Simone afirma que o senso de comunidade e pertencimento foi afetado pela especulação imobiliária ainda no final da década de 1970, empurrando os moradores para longe.

"Mesmo para a minha família, que na década de 80 foi morar na periferia da zona norte, ficava inviável entender como é essa loucura, né? Essa higienização, novamente feita para que a negritude fosse colocada nas periferias da cidade", relata.

O projeto Cartografias de Bambas, coordenado por Nathália Oliveira, nasceu justamente para valorizar a memória negra do samba no bairro antes que a gentrificação apague essa história. Para Nathália, o movimento diz mais sobre pertencimento a um território do que apenas sobre musicalidade.

"O samba entendido apenas como um som é esvaziar totalmente de sentido a construção dessa história. Quando a gente reconhece um bairro que está cada vez mais embranquecendo, é ir apagando o legado, né?", questiona.

Festival Cartografias de Bambas: a memória como prática mensal

Uma das iniciativas que contribuem para a permanência e memória da comunidade negra é o Festival Cartografias de Bambas, que reúne mensalmente sambistas e coletivos culturais na Rua do Samba. O festival já ocorre há oito meses.

Nathália observa que o evento reconecta as pessoas com o território: "E o que a gente vem percebendo é que cada vez mais chegam pessoas negras de lugares diferentes da cidade, de várias idades. Então, tem muita gente mais velha que já veio aqui e fala que quer voltar a frequentar os nossos eventos". Ela acrescenta: "A gente vai vendo como o público cada vez mais vai enegrecendo".

Para Nathália, o reconhecimento da Rua do Samba "é um momento em que a gente também tem que provocar uma discussão na cidade sobre como as pessoas negras permanecem no seu lugar de memória construída pelos seus antepassados".

Barra Funda como berço do samba paulistano

Antes da Rua do Samba, outro ponto já reconhecia a Barra Funda como berço do samba na cidade: o Largo da Banana. Ali, estivadores negros se reuniam no final do século 19 para cantar e tocar o que daria origem ao samba em São Paulo. No local, foi construído um viaduto na década de 1950, e do lugar de memória restou apenas uma placa.

A diferença agora, segundo o manifesto Rua do Samba da Barra Funda, é que a memória também é tratada como política pública. O documento reforça que a Rua do Samba siga como "patrimônio vivo, chão de memória e encruzilhada de futuros".

O que a Rua do Samba ensina sobre a indústria cultural

Todo filme começa numa planilha, e toda política pública também. A renomeação de uma rua de uma quadra pode parecer pequena, mas envolve decisão administrativa, reconhecimento histórico e um cálculo de retorno simbólico para a cidade. O estúdio, aqui, é o poder público, que aposta em número, não em arte: o número é o endereço, e a arte é o legado que ele carrega.

A especulação imobiliária que empurrou a família Tobias para a zona norte é o mesmo risco que ameaça apagar qualquer memória territorial. A Rua do Samba funciona como um contraponto: um ativo imaterial que valoriza o bairro sem expulsar quem o construiu. É a lógica de preservação aplicada à cultura, com o mesmo rigor de um orçamento de produção.

Perguntas Frequentes

Por que a Rua João de Barros foi renomeada?

A rua foi rebatizada como Rua do Samba em 28 de julho para homenagear a história do samba na Barra Funda, especialmente as rodas organizadas por Carlos Alberto Tobias desde os anos 1980 e o legado da família ligada à Camisa Verde e Branco.

Onde fica a Rua do Samba?

A Rua do Samba fica na Barra Funda, em São Paulo, e tem apenas uma quadra. Antes, chamava-se Rua João de Barros.

O que é o projeto Cartografias de Bambas?

É um projeto coordenado por Nathália Oliveira que busca valorizar a memória negra do samba no bairro da Barra Funda, antes que a gentrificação apague essa história. Ele também organiza o Festival Cartografias de Bambas, que reúne sambistas mensalmente na Rua do Samba.

Qual a relação da Rua do Samba com a Camisa Verde e Branco?

A escola de samba Camisa Verde e Branco surgiu de um grupo carnavalesco reorganizado em 1953 por seu Inocêncio, avô de Simone Tobias. Os ensaios aconteciam em frente à casa da família, na antiga Rua João de Barros.

O que foi o Largo da Banana?

Foi um ponto histórico da Barra Funda onde estivadores negros se reuniam no final do século 19 para cantar e tocar, dando origem ao samba paulistano. Um viaduto foi construído no local na década de 1950, restando apenas uma placa de memória.

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Wagner Pichetti

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