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Tragédia familiar causada pelo césio-137 é contada em documentário

ResumoO documentário Lourdes e Leide, dirigido por Angelo Lima, recompõe a tragédia familiar desencadeada pelo contato com césio-137 em Goiânia, em 1987. A obra, exibida no Bonito CineSur, denuncia o silêncio do Estado e a dor persistente das vítimas do acidente radioativo.

Em 1987, dois catadores encontraram césio-137 em Goiânia. A tragédia familiar que se seguiu é recontada no curta Lourdes e Leide, exibido no Bonito CineSur. O diretor Angelo Lima denuncia o silêncio do Estado e a dor que não passou.

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Wagner Pichetti
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Tragédia familiar causada pelo césio-137 é contada em documentário
Foto: Imagem ilustrativa · Freecine

Em 1987, dois catadores encontraram césio-137 em Goiânia. A tragédia familiar que se seguiu é recontada no curta Lourdes e Leide, exibido no Bonito CineSur. O diretor Angelo Lima denuncia o silêncio do Estado e a dor que não passou.

Tragédia familiar causada pelo césio-137 é contada em documentário

No dia 13 de setembro de 1987, dois catadores de lixo, Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves, entraram no prédio abandonado do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), no centro de Goiânia. Eles encontraram um equipamento de radioterapia e o levaram para casa. Ao remover o lacre da cápsula, viram um pó que brilhava azul no escuro: era césio-137. Foram as primeiras vítimas do maior incidente radiológico da história do Brasil.

O documentário Lourdes e Leide, do diretor Angelo Lima, reabre essa ferida. Exibido no Festival Bonito CineSur, no Mato Grosso do Sul, o curta acompanha o cotidiano solitário de dona Lourdes, tomado pelas memórias da filha Leide, que morreu aos 6 anos. "Foi uma tragédia silenciosa", disse o diretor. "Isso foi uma tragédia dentro de uma família."

Como o césio-137 chegou à casa de Lourdes e Leide

A substância radioativa foi vendida para um ferro-velho de Devair Alves Ferreira, que se encantou com o brilho. Ele distribuiu o material para familiares e amigos. Sem saber do perigo, as pessoas manipulavam o pó e sentiam náuseas, tonturas e vômitos. O irmão de Devair, Ivo Ferreira, levou um pouco para a filha, Leide das Neves, que ingeriu partículas de césio. Ela morreu em 23 de setembro, poucos dias depois. Foi enterrada em um caixão de chumbo de 700 quilos para conter a radiação que seu corpo ainda emitia.

Outras três pessoas morreram entre quatro e cinco semanas após a exposição.

A perda recente que reacendeu a dor

Nesta última semana, dona Lourdes perdeu mais um filho, Lucimar das Neves Ferreira. Ele tinha 14 anos na época do acidente. "Ele começou a beber muito e teve um enfisema pulmonar violento. Ela está muito chocada", contou o diretor. Marcelo Santos Neves, presidente da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio), disse que a morte relembra "aqueles dias difíceis". "Agora, a gente tem que dar o máximo de apoio possível."

O que mudou (e o que não mudou) desde 1987

O diretor Angelo Lima é direto: "Eu sempre culpo o Estado. Não vou culpar os catadores nem a família. Eles não tinham dimensão do perigo." Para ele, a tragédia "poderia acontecer com qualquer um" e a sociedade brasileira não está preparada. "Em termos governamentais, nada mudou. As pessoas esqueceram porque quiseram esquecer rapidamente. E não tiveram humanidade." acidentes radiológicos no Brasil

A família sofreu preconceito. "Na rua, as pessoas falavam: 'olha aí o pessoal do Césio' e trancavam as portas. Eles tiveram que se mudar várias vezes", lembrou Lima. "Isso acaba com a vida de todo mundo. Destrói famílias."

O curta foi exibido na noite de segunda-feira (27) no Bonito CineSur, que segue até sábado (1º). O festival também promove uma exposição de fotos, incluindo imagens da pequena Leide e de seu enterro. "No enterro, chegaram a jogar pedras", contou o diretor.

Perguntas Frequentes

O que foi o acidente com césio-137 em Goiânia?

Foi o maior incidente radiológico da história do Brasil. Em 13 de setembro de 1987, dois catadores encontraram uma cápsula de césio-137 em um prédio abandonado do IGR e a levaram para casa, espalhando o material radioativo.

Quantas pessoas morreram no acidente do césio-137?

Quatro pessoas morreram nas semanas seguintes à exposição, incluindo Leide das Neves, de 6 anos. Mais recentemente, Lucimar das Neves Ferreira, que tinha 14 anos na época, também faleceu.

O que é o documentário Lourdes e Leide?

É um curta-metragem do diretor Angelo Lima que acompanha o cotidiano de dona Lourdes, mãe de Leide, e denuncia o sofrimento da família causado pelo acidente com césio-137.

Onde o documentário foi exibido?

O curta foi exibido no Festival Bonito CineSur, no Mato Grosso do Sul, que acontece até 1º de agosto.

O que mudou no Brasil após o acidente com césio-137?

Segundo o diretor Angelo Lima, "em termos governamentais, nada mudou". Ele afirma que a sociedade esqueceu o caso rapidamente e não houve preparo para evitar tragédias semelhantes.

Quem é Marcelo Santos Neves?

É o presidente da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio), que presta apoio às famílias atingidas pelo acidente.

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