Rádio Nacional: 90 anos em sintonia com o Brasil
A Rádio Nacional completa 90 anos e tem trajetória contada no programa Caminhos da Reportagem desta segunda (14). Emissora pública que integra a EBC mantém legado na cultura e na programação do rádio e da TV brasileira.
A Rádio Nacional completa 90 anos e tem trajetória contada no programa Caminhos da Reportagem desta segunda (14). Emissora pública que integra a EBC mantém legado na cultura e na programação do rádio e da TV brasileira.
A Rádio Nacional completa 90 anos e sua trajetória é tema do programa Caminhos da Reportagem nesta segunda-feira (14). O legado da emissora está presente na cultura e na programação do rádio e da televisão brasileira.
Hoje a emissora é um dos veículos públicos que formam a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Suas ondas alcançam as regiões mais remotas do país com informação, cultura, música, prestação de serviço e programação popular.
Como a Rádio Nacional se tornou símbolo do rádio brasileiro
A estreia, em 12 de setembro de 1936, no Rio de Janeiro, foi anunciada com alvoroço pelo Jornal A Noite, do mesmo grupo ao qual pertencia a emissora. Na época, o Brasil vivia desenvolvimento industrial e expansão das cidades. A maior parte da população ainda morava na zona rural e não sabia ler. O rádio foi o primeiro meio de comunicação de massa a falar de forma mais abrangente com os brasileiros, e a Nacional virou símbolo desse fenômeno.
Nascida privada, foi estatizada pelo presidente Getúlio Vargas na década de 1940, quando passou a receber mais investimentos em transmissores e programação. Assumiu então o posto de campeã de audiência, segundo registros do Ibope. Os ouvintes tinham notícias, música, radionovelas, radioteatro, quadros humorísticos e transmissões esportivas, de modo inovador.
"A Rádio Nacional já traz um desenho profissional diferente", explica a historiadora Lia Calabre. A emissora é pioneira ao selar contratos exclusivos, formar orquestra e elenco de artistas. "O que a Nacional faz? Ela cria as suas vozes", afirma Calabre.
Acervo, radionovela e reconhecimento internacional
O acervo da EBC guarda fichas de antigos funcionários que atraíam multidões aos programas de auditório. Estrelas como Emilinha Borba, Marlene, Cauby Peixoto, Pixinguinha, Paulo Gracindo e Heron Domingues, apresentador do Repórter Esso. Também estão preservados seis dos nove volumes originais dos roteiros de Em busca da Felicidade, primeira radionovela transmitida no Brasil, exibida pela Rádio Nacional de 1941 a 1943. Pelo material, a EBC recebeu o certificado Memória do Mundo, da Unesco.
Os roteiros estão em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan), que deve ser concluído até o fim do ano, segundo a gerente de acervo e pesquisa da EBC, Maria Carnevale. O passo seguinte será salvaguardar fotos, documentos e programas gravados. "A gente tem a perspectiva de que boa parte do acervo da Rádio Nacional seja tombado", afirma Carnevale.
Fã das cantoras da emissora na adolescência, Mara Régia se tornou uma das apresentadoras mais queridas e longevas. Ela comemora 45 anos no ar com o programa Viva Maria, que aborda a valorização do universo feminino e os direitos das mulheres. Entre os maiores feitos, Mara destaca as transmissões a partir da rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, que impulsionaram a criação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.
Sete emissoras e a rede pública de comunicação
A Rádio Nacional acompanhou as transformações do país e das comunicações. Desdobrou-se em sete emissoras principais: Rádio Nacional do Rio de Janeiro (1936), Rádio Nacional de Brasília AM (1958) e FM (1976), Rádio Nacional da Amazônia (1977), Rádio Nacional do Alto Solimões (2006), Rádio Nacional São Luís e Rádio Nacional São Paulo, ambas criadas em 2021. Em 2007, com a implementação da EBC, passou a ser um veículo público, ampliando o compromisso com a cultura popular e a cidadania.
Para o diretor-geral da EBC, Thiago Regotto, "a história da Rádio Nacional, com todo o aprendizado, toda a expansão que ela fez, contribui para que ela seja um dos pilares do campo radiofônico para fomentar a radiodifusão pública".
O professor do Núcleo de Rádio e TV da UFRJ, Marcelo Kischinhevsky, destaca o papel da emissora como uma das articuladoras da Rede Nacional de Comunicação Pública, que envolve mais de 140 emissoras públicas estaduais, universitárias ou ligadas a institutos federais. As parceiras compartilham conteúdo informativo, educativo e cultural sem foco comercial.
Nessas nove décadas a Rádio Nacional se mantém em sintonia com o Brasil. Na família de Hernandez Lopes, de 14 anos, já são várias gerações de ouvintes. O adolescente conta que aprendeu a ouvir a emissora com o pai, que herdou da mãe a preferência pela programação. Hernandez mora em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e sempre participa do programa Revista Rio por telefone. "Eu peço as músicas que eu gosto e nunca decepciona", diz. "Eu gosto desse estilo antigo, aquele que acaba com a solidão, porque não é só uma pessoa ouvindo uma música, são várias pessoas, e você ainda pode contribuir para a programação".
história do rádio no Brasil programação da EBC
Aline Furtado
Crítica e cobertura independente de cinema, séries e streaming. Estreias, análises e onde assistir — sem viés comercial.
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