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Festival Bonito CineSur: integração audiovisual sul-americana em 2026

ResumoO Festival Bonito CineSur, em sua quarta edição em Bonito (MS), reúne 32 produções de 13 países sul-americanos a partir de 24 de janeiro de 2026. O evento gratuito promove integração audiovisual com mostras de narrativas indígenas e homenagens a Vincent Carelli e Paulina García.

Começa nesta sexta-feira (24) a quarta edição do Bonito CineSur, festival que reúne 32 produções de 13 países da América do Sul em Bonito (MS). Com mostras que abordam narrativas indígenas e homenagens a Vincent Carelli e Paulina García, o evento gratuito promove encontros e deba

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Henrique Vasconcelos
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Festival Bonito CineSur: integração audiovisual sul-americana em 2026
Foto: Imagem ilustrativa · Freecine

Começa nesta sexta-feira (24) a quarta edição do Bonito CineSur, festival que reúne 32 produções de 13 países da América do Sul em Bonito (MS). Com mostras que abordam narrativas indígenas e homenagens a Vincent Carelli e Paulina García, o evento gratuito promove encontros e deba

Festival Bonito CineSur: como a quarta edição promove a integração audiovisual sul-americana

Começa nesta sexta-feira (24), na cidade de Bonito (MS), a quarta edição do Festival Bonito CineSur, definido pela organização como um espaço de encontro e integração do cinema e do audiovisual sul-americano. Mesmo sem ser uma escolha deliberada da curadoria, o evento levará ao público, até sábado (1º/8), uma diversidade de filmes que abordam narrativas ou contextos indígenas.

A quarta edição do festival apresenta 32 produções cinematográficas de 13 países da América do Sul. Participam do evento longas e curtas produzidos na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Todas as atividades promovidas pelo CineSur são gratuitas e ocorrem no Centro de Convenções de Bonito.

Por que o Bonito CineSur é relevante para o cinema sul-americano?

O festival se posiciona como um ponto de encontro para o audiovisual do continente. "Os filmes selecionados são muito variados. Não existe uma definição prévia de temas, gêneros ou estilos. Buscamos sempre uma combinação entre alguns valores: qualidade estética e narrativa; tema relevante; capacidade de se comunicar com um público amplo", explicou Zé Geraldo Couto, um dos curadores da mostra Sul-Americana.

A curadoria não impõe temas de antemão. "A escolha final depende muito da oferta de filmes da temporada. Só então é possível detectar certas tendências e estabelecer conexões entre as obras. Mas nada é definido previamente, antes de assistirmos aos filmes inscritos", completou Couto.

Mostras e filmes com narrativas indígenas

As obras que abordam questões indígenas poderão ser conferidas em algumas das diversas mostras que integram o festival. "Acho que a presença maior dessa temática se encontra na Mostra Ambiental, na Sul-Mato-Grossense e em sessões especiais", disse Couto. "De todo modo, a presença de personagens e temas indígenas é até pequena, se pensarmos na importância desses povos na maioria dos países do continente", completou.

Entre os filmes com essa temática, destacam-se Aldeia de Nalike, documentário realizado por Claude Lévi-Strauss e Dina Lévi-Strauss em 1936, que apresenta um registro do povo Kadiwéu, na região de Porto Murtinho (MS); e também Vípuxovuko-Aldeia, de Dannon Lacerda, sobre a comunidade Terena em Campo Grande (MS), a partir de uma perspectiva queer e ancestral.

"Aldeia de Nalike é um filme silencioso, rodado em 16 milímetros e, pela primeira vez, teremos a execução de uma trilha sonora e musical, original, criada justamente para recompor esse trabalho e potencializar esse resgate", explicou Marcos Pierry, curador da Mostra Sul-Mato-Grossense.

Ao lembrar que a obra está completando 90 anos, Pierry chama a atenção para a mudança na abordagem do tema, de um olhar folclórico e exótico para um enfoque mais sensível e interessado. "Hoje tem essa marca: o indígena sai da frente da câmera e vai para trás das câmeras contar suas próprias histórias, não só documentando ou denunciando, muitas vezes atrelado à questão ambiental, mas também propondo ficção. Isso é de uma riqueza grande, uma chance grande para nós todos aprendermos."

Homenagens e presença de lideranças indígenas

Realizado na região da Serra da Bodoquena, o evento contará com a aguardada presença do líder indígena Almir Suruí, que deve acompanhar uma sessão especial do filme Minha Terra Estrangeira, dos cineastas João Moreira Salles e Louise Botkay. O longa documental acompanha o líder indígena e sua filha Txai em meio à disputa política e a luta pela preservação da Amazônia, discutindo temas como território, resistência indígena e a urgência de se pensar o futuro. A sessão especial de exibição ocorre na noite da próxima terça-feira (28).

O tema indígena também será abordado durante o festival por meio de obras internacionais como o curta colombiano Sukua, que conta a história de um menino da etnia Cogui que ganha uma pistola d'água, e do boliviano Uma Uñjirinaka Cuidadorxs del Água, que mostra comunidades lutando contra a contaminação da água.

"Penso que, num festival que tem o meio ambiente e a pluralidade cultural como duas de suas preocupações centrais, é natural que as culturas indígenas sejam eventualmente protagonistas. Afinal, a luta pela defesa da natureza praticamente coincide com a luta pela preservação e valorização dos povos originários do continente", destacou Zé Geraldo Couto.

Troféu Pantanal para Vincent Carelli

Entre os homenageados do festival está o cineasta Vincent Carelli, que será agraciado com o Troféu Pantanal pelo conjunto de sua obra cinematográfica. Além de obras como Corumbiara e Martírio, Carelli também criou o projeto Vídeo nas Aldeias, de capacitação audiovisual. Criado em 1986, o projeto contribuiu para a produção de mais de 70 filmes por indígenas.

"A coisa começa a ficar interessante quando eles mesmos fazem seus filmes e narrativas. Primeiro porque isso é um exercício muito interessante de autovalorização como processo interno das comunidades. Filmes sobre a realidade indígena são um pouco ultrapassado, mas são válidos também", disse Carelli, em entrevista à Agência Brasil.

Para ele, o cinema feito por indígenas apresenta "as coisas no seu contexto, significados e sentidos". "O incrível é que, no processo de revelar essas narrativas, qualquer tipo de público foi capaz de distinguir que isso é um outro olhar. A gente começa a dialogar com as culturas indígenas, se interessar, conhecer. E acaba com aquilo de que o Brasil não conhece o Brasil", reforçou o cineasta.

Segundo Carelli, o cinema indígena "não vem ensinar nada para ninguém", mas apresentar visões mais profundas sobre o universo dos povos indígenas. "Hoje isso tudo está sendo revelado: uma nova realidade, um novo olhar e, principalmente, é curioso como, nesse processo colaborativo de oficinas e para quem não tem a cultura cinematográfica tradicional, eles são sempre capazes de propor coisas muito espontâneas e muito verdadeiras."

Homenagem a Paulina García e filme de abertura

A quarta edição do festival também homenageará a atriz chilena Paulina García, que atuou em produções como A Noiva do Deserto, Narcos e Gloria. Este último filme lhe rendeu o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim. A atriz também atua no filme Querido Trópico, que foi escolhido como filme de abertura do festival, exibido hoje, às 19h30.

Atividades gratuitas e programação completa

Além da apresentação de filmes, o Bonito CineSur ainda promoverá palestras, cine debates, atividades formativas e encontros com realizadores. Todas as atividades são gratuitas. Mais informações sobre o Festival de Cinema Sul-Americano (CineSur), que será realizado entre os dias 24 de julho e 1º de agosto no Centro de Convenções de Bonito, podem ser obtidas no site oficial.

Perguntas Frequentes

O Festival Bonito CineSur é gratuito?

Sim, todas as atividades promovidas pelo CineSur são gratuitas, incluindo mostras, palestras e debates.

Quantos filmes serão exibidos no Bonito CineSur 2026?

A quarta edição apresenta 32 produções cinematográficas de 13 países da América do Sul.

Quem são os homenageados do festival em 2026?

O festival homenageia o cineasta Vincent Carelli, com o Troféu Pantanal, e a atriz chilena Paulina García.

Onde e quando acontece o Bonito CineSur?

O evento ocorre no Centro de Convenções de Bonito (MS), de 24 de julho a 1º de agosto.

Há filmes com temática indígena no festival?

Sim, diversas mostras, como a Ambiental e a Sul-Mato-Grossense, incluem obras que abordam narrativas e contextos indígenas.

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Henrique Vasconcelos

Crítica e cobertura independente de cinema, séries e streaming. Estreias, análises e onde assistir — sem viés comercial.

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