Flip: Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação em Paraty
Na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Angela Davis participou de evento gratuito no Sesc Caborê, mediado por Flávia Oliveira. A ativista citou pensadores brasileiros como Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez, criticou a gentrificação em comunidades pobres de Parat
Na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Angela Davis participou de evento gratuito no Sesc Caborê, mediado por Flávia Oliveira. A ativista citou pensadores brasileiros como Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez, criticou a gentrificação em comunidades pobres de Parat
Flip: Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação em Paraty
No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado neste sábado (25), a ativista e pesquisadora Angela Davis foi um dos destaques da programação da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ela participou de evento público e gratuito no Sesc Caborê, em conversa com a jornalista Flávia Oliveira. A mesa fez parte da programação paralela da Festa, que se encerra neste domingo (26).
Angela Davis citou pensadores brasileiros como Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez, criticou a gentrificação em comunidades pobres de Paraty e defendeu a redução da jornada de trabalho como forma de ampliar o acesso à cultura.
Angela Davis critica gentrificação e racismo ambiental em Paraty
A ativista denunciou o processo de gentrificação e racismo ambiental na cidade. "Queria falar sobre a gentrificação que está acontecendo em comunidades pobres aqui em Paraty. E também sobre o racismo ambiental", disse. Ela relatou que conversou com a própria comunidade local: "Podemos escutar o que está acontecendo aqui nessa área. Não devemos prestar atenção apenas na literatura, mas devemos prestar atenção nesse papel da literatura de influenciar as pessoas e promover mudanças".
Gentrificação é o processo em que a valorização de um bairro eleva o custo de vida e acaba expulsando os moradores mais pobres para regiões mais periféricas.
Homenagens a Conceição Evaristo, Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento
Angela Davis homenageou a escritora mineira Conceição Evaristo, que estava na plateia. "É um prazer que ela esteja aqui presente. Muito obrigada pela sua literatura tão bela", afirmou. Para a ativista, Conceição está no mesmo patamar de relevância da cantora Nina Simone e da escritora Toni Morrison, ambas norte-americanas.
Ao comentar sobre a "escrevivência", conceito criado por Conceição Evaristo, Angela mencionou que demorou muito tempo para o reconhecimento de que as pessoas negras precisavam contar as próprias histórias. "Toni Morrison nos mostrou que a experiência branca não é universal", afirmou.
A ativista também citou a autora e ativista brasileira Lélia Gonzalez, referência nos estudos de gênero, raça e classe. "Eu amo a Lélia Gonzalez", disse, destacando o conceito da Amefricanidade. "Naquele conceito ela reconhece que a luta negra, em qualquer parte do mundo, não pode acontecer também sem o povo indígena", exemplificou.
Angela ainda comentou sobre as contribuições da brasileira Beatriz Nascimento. "Quando ela falou 'eu sou atlântica', ela emitiu o sentimento que nos chega a todos, que nos faz sentir parte de um mundo gigantesco."
Redução da jornada de trabalho e inclusão nas universidades
A redução da jornada de trabalho e a inclusão de pessoas negras nas universidades também foram temas abordados. Segundo ela, a redução de jornada poderia permitir mais tempo de lazer e acesso à cultura. Angela conta que alguns lugares da Europa já vivenciam a redução da jornada.
"Na primeira vez em que visitei o Brasil, havia poucos negros na universidade. Eu estava aqui e eu vi um novo sistema universitário se desenvolver na Bahia, eu vi mudanças palpáveis e nós devemos celebrar essas mudanças porque vocês as conquistaram", afirmou.
Prisão e luta coletiva
Ao rememorar o período de sua prisão sob falsa acusação de conspiração, sequestro e homicídio, Angela destacou o poder da luta coletiva. "Eu digo que eu não fiz muito, eu estava sentada na prisão. As pessoas estavam nas ruas gerando o movimento que impediria que aqueles homens que estavam no poder tomassem essa decisão [pela pena de morte]", disse.
"Quando olho pra trás naquele período, vejo que foi um presente. Eu fui moldada pelo que passei naquela cadeia", concluiu.
Perguntas Frequentes
O que Angela Davis disse sobre gentrificação em Paraty?
Angela Davis criticou o processo de gentrificação em comunidades pobres de Paraty e o racismo ambiental, afirmando que tentam criar meios para ganhar mais lucro tirando as pessoas de suas terras ancestrais.
Quais pensadores brasileiros Angela Davis citou na Flip?
Ela citou Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez e homenageou Conceição Evaristo, que estava na plateia.
Angela Davis defendeu a redução da jornada de trabalho?
Sim. Segundo ela, a redução poderia permitir mais tempo de lazer e acesso à cultura, mencionando que alguns lugares da Europa já adotam a medida.
Quem mediou a conversa com Angela Davis na Flip?
A conversa foi mediada pela jornalista Flávia Oliveira.
O que Angela Davis disse sobre o fascismo?
Ela afirmou que o fascismo está emergindo na Europa, Estados Unidos e América Latina, mas não entre o povo, e que o povo é mais forte do que o fascismo que pretende governá-lo.
Wagner Pichetti
Crítica e cobertura independente de cinema, séries e streaming. Estreias, análises e onde assistir — sem viés comercial.
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