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Grande Sertão: Veredas faz 70 anos e permanece instigante

ResumoGrande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, completa 70 anos em 2026. O romance de 1956 permanece instigante para leitores e especialistas pela linguagem inovadora e pela complexidade narrativa. A obra revisita segredos da criação e polêmicas linguísticas, consolidando um legado literário que só cresce com o tempo.

Em 2026, Grande Sertão: Veredas completa 70 anos. O livro de Guimarães Rosa, lançado em 16 de julho de 1956, ainda instiga leitores e especialistas. Nós revisitamos os segredos da criação, a polêmica linguagem e o legado que só cresce.

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Aline Furtado
· · 3 min de leitura
Grande Sertão: Veredas faz 70 anos e permanece instigante
Foto: Imagem ilustrativa · Freecine

Em 2026, Grande Sertão: Veredas completa 70 anos. O livro de Guimarães Rosa, lançado em 16 de julho de 1956, ainda instiga leitores e especialistas. Nós revisitamos os segredos da criação, a polêmica linguagem e o legado que só cresce.

Há 70 anos, em 16 de julho de 1956, Guimarães Rosa lançava Grande Sertão: Veredas na Livraria José Olímpio, no centro do Rio de Janeiro. Sete décadas depois, o romance continua instigante, e não apenas para os especialistas.

Grande Sertão: Veredas faz 70 anos e permanece instigante porque combina duas forças aparentemente opostas. De um lado, o cuidado formal, a lapidação da linguagem. De outro, a entrega criativa que o próprio autor chamava de "experimento quase mediúnico". O economista e imortal da ABL Eduardo Giannetti resume: "O milagre do processo criativo de Guimarães Rosa é justamente essa combinação".

A origem mineira e o nascimento do romance

A semente de Grande Sertão foi plantada numa viagem pelo interior de Minas Gerais. Rosa percorreu a região das Veredas com o amigo Pedro Barbosa Moreira. O ambiente das veredas e buritizais, que não aparecia em Sagarana, tornou-se o cenário central da obra.

O autor trabalhou no livro entre 1946 e 1956, período em que também produziu Corpo de Baile. O romance começou como uma história dessa coletânea de novelas, mas Rosa o desmembrou e tornou independente. O jornalista Leonêncio Nossa, autor da primeira biografia do escritor, explica: "Ele passou a usar esse ambiente das veredas e buritizais na obra dele".

A polêmica da linguagem: "nonada" não é neologismo

Quando Grande Sertão foi lançado, recebeu críticas severas. A linguagem popular dos personagens foi chamada de "de outro planeta". Rosa respondeu: "Eu não inventei uma língua. Os vaqueiros de Minas Gerais, da Bahia, de Goiás falam assim".

A palavra "nonada", que abre o livro, é um exemplo. Muita gente pensa que é neologismo, mas era recorrente em jornais brasileiros da época. O biógrafo Leonêncio Nossa observa: "Rosa usa palavras que não são mais usadas no seu livro e aí acham que é um neologismo". A musicalidade do texto, no entanto, fez com que o livro estivesse sempre entre os mais vendidos, já em 1956.

Um processo criativo único

Enquanto escrevia, Rosa ouvia programas da Rádio Nacional com cantoras como Marlene, Emilinha Borba, Ademilde Fonseca e Virgínia Lane. O cinema também o inspirava: um dos filmes que assistiu durante a produção foi Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa.

Além disso, Rosa trabalhava na divulgação dos seus livros. No lançamento de Sagarana, ficou com 500 dos mil exemplares e enviou para figuras como Getúlio Vargas, Monteiro Lobato e Carlos Drummond de Andrade.

O legado que só cresce

A cantora Adriana Calcanhotto, que se inspira na obra de Rosa, destaca que o escritor fez um trabalho de compilação da fala popular antes da escrita. "É uma leitura obrigatória. Quando você lê mais de uma vez, é outro livro e a gente é outra pessoa depois disso".

A aceitação mundial também impressiona. "É uma coisa louca que seja mundialmente, porque é difícil tradução. Cada ano que passa, ele só cresce", observa a artista.

O parentesco revelado pela biografia

Eduardo Giannetti descobriu, ao ler a biografia de Leonêncio Nossa, que é parente de Guimarães Rosa. O pai do escritor, Florduardo (apelido Fulô), era primo do bisavô do acadêmico, João Pinheiro. "Ainda por cima teve isso", diz Giannetti, que ocupa na ABL a cadeira 2, antes de Rosa.

Guimarães Rosa: vida e obra

Perguntas Frequentes

Onde foi lançado Grande Sertão: Veredas?

Foi lançado em 16 de julho de 1956, na Livraria José Olímpio, na Rua do Ouvidor, centro do Rio de Janeiro.

Quantos anos Guimarães Rosa levou para escrever o livro?

Dez anos, entre 1946 e 1956.

O que significa "nonada" em Grande Sertão: Veredas?

Não é um neologismo. Era uma palavra recorrente em jornais brasileiros da época, que Rosa resgatou.

Onde assistir a adaptações de Grande Sertão: Veredas?

Há a minissérie da Rede Globo (1985) e o filme de 1965, disponíveis em plataformas de streaming e acervos culturais.

Quem é o biógrafo de Guimarães Rosa?

Leonêncio Nossa, autor de João Guimarães Rosa, biografia, a primeira do escritor.

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Aline Furtado

Crítica e cobertura independente de cinema, séries e streaming. Estreias, análises e onde assistir — sem viés comercial.

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