Museu do Pontal superou enchentes: 50 anos de arte popular
O Museu do Pontal superou enchentes e inaugurou nova sede em 2021. Saiba como uma campanha de doações e a visão de seus diretores preservaram 50 anos de arte popular.
O Museu do Pontal superou enchentes e inaugurou nova sede em 2021. Saiba como uma campanha de doações e a visão de seus diretores preservaram 50 anos de arte popular.
O Museu do Pontal, um dos principais espaços de arte popular brasileira, celebra 50 anos em 2026. A trajetória inclui enchentes frequentes na antiga sede, no Recreio dos Bandeirantes, que exigiram uma campanha de doações para viabilizar a mudança para a Barra da Tijuca.
A construção de condomínios residenciais nos arredores deixou o terreno do museu mais baixo que os vizinhos. Mesmo após uma grande reforma em 2009, o acúmulo de água se tornou constante. "Foi em 2011 que a gente começou a viver isso. Foram períodos muito difíceis", relatou o diretor executivo Lucas Van de Beuque à Agência Brasil.
Em 2016, o museu conseguiu um terreno, mas as obras pararam por dois anos por falta de recursos. Uma inundação ainda mais forte deixou as instalações internas sob até 1 metro de água. A solução veio de uma campanha que mobilizou mais de 1 mil pessoas e empresas com doações. "Inauguramos em outubro de 2021. Foram 10 anos nesse processo", afirmou Lucas.
A pandemia de covid-19 não interrompeu o trabalho. Os diretores realizaram encontros virtuais com artistas de vários estados. Para a diretora Angela Mascelani, a coleção construída desde 1976 pelo francês Jacques Van de Beuque sempre valorizou a produção das camadas populares como autoral. "Esses artistas são autores, têm uma criação, um pensamento original", disse.
A exposição inaugural, com peças compradas por Jacques ao chegar ao Brasil, passou primeiro pelo Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, o que deu reconhecimento à mostra. Hoje, o Pontal opera como Museu Praça, um lugar de convivência com exposições, espetáculos e oficinas. O caso mostra como decisões de gestão e mobilização comunitária sustentam um acervo que o mercado não financiaria sozinho.
Wagner Pichetti
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